14.1.18

As diferentes vertentes da Psicologia

Psicanálise: "Vamos analisar como seu inconsciente afeta suas decisões"

Psicologia Analítica: "Vamos analisar seus sonhos e como eles se relacionam com seu processo de individuação"

Psicologia Cognitivo-Comportamental: "Vamos analisar como seus pensamentos afetam suas emoções"

Psicologia Humanista: "Vamos analisar sua disposição criativa no seu processo de autorrealização"

Psicologia Evolucionista: "Vamos analisar como o instinto de sobrevivência afeta seu comportamento"

Psicologia Sócio-Histórica: "Vamos analisar como a dialética social-cultural constituem o mundo subjetivo"

Psicologia Experiencial: "Vamos analisar como suas sensações manifestas no corpo afetam seu pensamento"

Eu: "O que é analisar se não alisar com o ânus, não é mesmo?"

9.1.18

Bonito



"Ah, então só o bonito tá certo?", diz toda mãe ao filho em algum momento da vida, "Tá todo mundo errado, menos você, o sabidão? Só você sabe tudo?".

O filho abaixa a cabeça, pede desculpa e fica em silêncio.
Aí continua fazendo tudo exatamente o que fazia antes.

Por que, lá no fundo, o bonito tem plena certeza de que só ele que está certo mesmo.

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Nessa eu fico do lado do filho. Às vezes tá todo mundo maluco, vai fazer o quê?

Todo mundo é uma pessoa teimosa, até porque "pessoa teimosa" é uma expressão muito redundante. Isso acontece porque cada pessoa é única, é justamente por isso, cada pessoa tem perspectiva muito particular e diferenciada sobre o que vive.

Por conta desse ponto-de-vista só dela, pode ser que enxergue coisas que ninguém mais veja.

E aí, vai acreditar em quem? No que sente e vê ou no que os outros falam?

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Todo mundo diz que você tá fazendo a escolha profissional errada, mas lá no fundo, depois de considerar suas opções e possíveis riscos, você continua sentindo profundamente que é por ali que tem que seguir?
Pois vá fundo, tá todo mundo errado, menos você.

Todo mundo tem uma opinião política que te parece absurda, mas caem de pau em você quando você abre a boca? Mesmo depois que você se informou, pensou bastante e chegou numa conclusão diferente?
Pois eles que te aguentem. Tá todo mundo errado, menos você.

As maiorias frequentemente não sabem de nada. Só se destaca do pensamento comum e das reduções bobas quem consegue pensar diferente por um instante e dizer "Pôxa vida, todo mundo é uma anta! Eu sou ótimo!".

Claro que isso exige muita espinha dorsal pra dar conta de bancar a própria escolha. Isso só consegue quem acredita mais em si mesmo do que nos outros.

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É importante considerar a opinião do outro? Claro que é, inclusive essa é uma das melhores maneiras de se aprender na vida.

O que não dá pra permitir que aconteça é que a opinião do outro seja sempre mais forte que a sua.

E se o outro estiver certo e o seu plano estiver errado?

Aí você errou, pôxa. Paciência.
Que escândalo bobo esse de sofrer quando erra, qual o problema de sofrer um pouco? Quem disse que errar é tão errado?
Dar mancada também é uma das melhores maneiras de se aprender na vida.

"Ah, mas todo mundo sofre quando erra!"
Não me interessa. Tá todo mundo errado.

Só o bonito aqui que não.

7.1.18

O projeto

Vou confessar uma coisa pra vocês: Pablo Vittar é um projeto da comunidade gay que deu errado.

O pastor Malafaia tenta denunciar e vocês não acreditam, mas os homossexuais são quem realmente domina o mundo.

Nós somos uma raça à parte, que tem como objetivo desenhar roupas bonitas e destruir a humanidade, e a gente sempre se reúne. Por exemplo, a pauta da última reunião foi essa:

- Novos métodos fazer pra atrair crianças para a homossexualidade: um simpósio.
 - Mesa redonda: Em quanto tempo vamos conseguir colocar uma cena de sexo gay explícito numa novela das oito?
 - Pausa para orgia e coffee break
 - Discussão aberta: A Madonna vai conseguir superar o Like a Prayer?
 - Discurso final: Como destruir os valores cristãos e obrigar todo mundo a gostar de rôla?

Isso já basta pra manter a gente ocupado, mas ultimamente apareceu uma preocupação nova: estávamos chamando atenção demais.

As novelas com personagem gay estavam fazendo sucesso demais, o Freddie Mercury e o Ney Matogrosso exageraram nos malabarismos vocais, a Ellen DeGeneres já estava com quase monopólio da mídia americana... Estava tudo dando muito na cara.

Precisávamos de um flop.

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Foi aí que alguém surgiu com a ideia de lançar uma artista da comunidade que não fosse muito boa.

"O povo já tá aceitando cantores gays e lésbicas fácil demais, precisamos de alguém que seja rejeitado..."
"O que você sugere?"
"Sei lá, uma travesti de um metro e noventa, com voz esganiçada, nome de homem e cantando tecnobrega! Algo que todo mundo odeie!"

Pouco tempo depois, Pablo Vittar já estava sendo montada para ser lançada. Agora sim, teríamos igualdade, uma representante da nossa comunidade que não fosse um exemplo de talento.

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Mas nosso plano deu errado.
Veja, a gente não consegue fazer as coisas pela metade. O que era pra ser uma Joelma piorada - se tivesse como - saiu pela culatra.

A batida do tecnobrega da Pablo acabou que ficou bem mais bacana de dançar do que a do Chimbinha.
As roupas? Era pra ela usar uns trapos vulgares tipo a Paula Fernandes, mas não... saíram umas roupas coloridinhas, combinando, bem ajustadas ao corpo, coisa mais linda.
A voz esganiçada? A filha da mãe ensaiou Whitney Houston tanto tempo que fez o Ed Motta largar a coxinha que estava comendo pra secar as lágrimas, de tão bonito que ficou.
O mercado de nicho? Virou milhões de visualizações no YouTube.

Eu juro que a gente tentou fazer ficar ruim. Na nossa tentativa de falhar, falhamos miseravalmente.

Já reparou que nos comentários de portais de notícia tá chovendo gente falando mal de Pablo Vittar?

Não confiem não, faz parte do nosso plano. Não são nem héteros de verdade.
É tudo viado plantado pra tentar convencer o povo que os LGBT não tem poderes especiais.

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No DNA alienígena do sangue gay, alguma coisa faz a gente se dedicar muito ao que faz, sabe?

Eu lembro exatamente da primeira vez que um amigo me levou num show de drag. Era uma boate horrível, que depois a Vigilância Sanitária fechou, que ficava num porão pequeno no centro da cidade.

O orçamento era zero, mas a dedicação estava lá.

O show começou com as luzes apagadas e um remix das Pussycat Dolls tocando no último volume.
Nisso, um menino de chinelo havaianas e cabelo descolorido corria até a metade do palco, acendia um fogo de artifício e saía correndo de novo.

Barulho e fumaça tomavam conta do lugar, até uma drag correr pra trás dos fogos e usar o efeito pra começar a dublar a música. Luzes, coreografia, palmas.

Só que o piso de madeira do palco estava todo ferrado, e o salto da drag ficou preso no chão no meio da música. Aproveitando a deixa, outra drag correu até o palco, deu um tapa na cara dela, gritando "ESSA PERUCA É MINHA, SUA LADRONA DE MERDA", e fez e tudo pra arrancar o cabelo da outra.

Saíram no tapa ali mesmo,  entre a máquina de fumaça e ao som das Pussycat Dolls.
Quando conseguiram apartar a briga, quase todo mundo que estava na pista começou a gritar "MAIS UM! MAIS UM!".

O que eu quero dizer é que a gente pode ter muitos problemas, mas se tem uma coisa que viado sabe fazer.... É dar show.

Quem sabe a gente resolva isso na próxima reunião do comitê.

4.1.18

Estrogonofe

Amizades podem começar por muitos motivos diferentes.
Essa amizade em particular começou por causa de estrogonofe. Mais especificamente, por um ódio comum ao prato.

Eu devia ter uns cinco anos e nunca tinha nem experimentado estrogonofe na vida quando meus pais foram jantar na casa de um casal amigo deles.

Na mesa, a ostentação do momento: uma panela cheia do prato da moda. Não parece, mas lá no começo dos anos noventa o estrogonofe era um prato refinado, que a classe média servia pra impressionar as visitas. Era o fondue de hoje.

O filho do casal, que tinha a mesma idade que eu, fez uma careta tão feia quando viu a mesa posta que eu não pude deixar de me contaminar.

"Não gosto de estrogonofe!", disse ele. Eu nem sabia que o negócio tinha esse nome. Uma comida tão com cara de vômito e com um nome desses não tinha chance nenhuma de ser gostosa.

"Eca! Também não gosto!", eu respondi, e me recusei a comer.

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A amizade se resumiu a isso por muitos anos: a gente se encontrava e brincava de fazer estrogonofe. A gente se reunia ao redor de uma panela imaginária e jogava as coisas mais nojentas possíveis lá dentro, como se fossem os ingredientes do prato.

"Uma pessoa morta!", dizia um e mexia a panela.
"Catota de nariz!", respondia o outro.

Não era uma brincadeira com muito propósito, mas pelo menos reafirmava o nosso único elo.

A amizade durou bastante tempo, até a gente estudar junto no ensino médio e ele ir dedurar pros meus pais que me viu fumando nos fundos do colégio.

X9 dos infernos.

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Provar estrogonofe pela primeira vez foi como Adão e Eva provando a maçã pela primeira vez: um novo mundo se abriu pra mim, e eu finalmente sabia o que era bom e o que era mau.

Estrogonofe, por exemplo, era muito bom.

Me incomoda a pecha que se atribui ao estrogonofe de ser um prato brega. É brega sim, mas pôxa, é o prato mais brasileiro que existe.
"Mas e o feijão com arroz?", você pergunta.

Feijão com arroz é ótimo, mas se tem uma coisa que brasileiro gosta é de fingir que não é brasileiro. E o estrogonofe resume a vontade de ser estrangeiro com perfeição: é estrambólico e com jeito de exótico até no nome. O estrogonofe é a Kaillany Christine da gastronomia.
É até mais gostoso escrever o nome estrangeirizado: Strogonoff. Por mim o nome em português seria ainda mais rebuscado e a gente escreveria exttroghonoffy.
Super elegante.

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Já o jeito de ser é um carnaval: Nada é só sólido ou só líquido.
O estrogonofe mistura todas as texturas do mundo em uma refeição só: a pastosidade do creme de leite, a maciez fofa do arroz, a firmeza da carne/frango/camarão/palmito-se-você-for-vegetariano, a escorregabilidade do champignon...

E o brasileiro ainda vai lá e joga meio quilo de batata palha em cima, que é pra adicionar crocância. Você pode fazer dezesseis refeições diferentes na Inglaterra e não encontrar tantas texturas diferentes quanto encontra num estrogonofe de praça de alimentação.

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Em tempos de crise política, a paixão por estrogonofe é a única coisa que ainda nos une como nação.

É o estrogonofe que faz as pessoas de todas as classes sociais fazerem fila numa praça de alimentação para comprar um prato executivo.  É uma resistência sutil ao capitalismo cruel que reside na fila do Burguer King.

A pessoa que não sabe cozinhar, quando quer agradar alguém, o que faz? Estrogonofe! E fica toda feliz, se sentindo a rainha da cozinha. Essa é a autoestima que a nossa nação merece!

O estrogonofe acolhe tudo! Qualquer coisa pode ser recheio de um estrogonofe! É dessa fraternidade que o nosso país precisa agora.

Tem gente que não gosta de estrogonofe? Tem. Tem gente que acha brega? Tem, e eu sugiro que sejam extraditados.
Nosso país não tem lugar pra quem não sabe apreciar sua alta culinária.

São traidores! Exatamente o mesmo tipo de gente que te dedura pros seus pais quando você fuma um cigarro nos fundos do colégio.

2.1.18

Proatividade

Hoje de manhã, no jornal local, tinha um especialista dando dicas de como se colocar no mercado de trabalho.

Juro por Deus que uma das dicas foi a seguinte:
"Se você mora nas ruas e tá acompanhando a gente, experimente, quando for pedir comida pra alguém, perguntar se a pessoa não tem um servicinho pra te oferecer. Você pode cortar a grama da pessoa, por exemplo, e ganhar um troquinho. A informalidade é o melhor caminho pra entrar no mercado de trabalho hoje."

Gênio. Tenho certeza que os sem-teto que estavam em suas casas assistindo ao Bom Dia Paraná tomaram nota.

É questão de ser proativo, saca?

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Igual a TIM. Mais proativo que eles, não tem!

Eles telefonam de um número deles, que se você tenta retornar dá em lugar nenhum, e desligam rapidamente. O número deixa um recado na sua caixa postal.

Aí não basta ter que lidar com o ícone de mensagem de voz enchendo o saco no canto da tela do celular, que você precisa cumprir doze tarefas hercúleas nas configurações do aparelho pra conseguir apagar, mas eles prolongam seu suplício.

Pouco tempo depois, você recebe outra ligação deles.
"Você recebeu uma mensagem na sua caixa postal. BIIIP!", seguida de silêncio e da ligação caindo.

Aí te cobram pelo serviço de ligarem avisando da ligação que eles mesmos fizeram, e mostram o recado que eles deixaram não deixando recado nenhum.

Você, sem-teto que certamente me acompanha no Facebook, não tem os milhões que a TIM tem porque não é proativo como eles.

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Reclamar dos outros é coisa de invejoso, então vamos aprender com as lições do sucesso da TIM!

Crie sua demanda! Seja criativo nos serviços que você oferece! Dê um passo além!

Você é motorista de ônibus e tem poucos passageiros?
Pare para qualquer pessoa na rua. Grite "Você precisa ir nessa direção!" e arremesse-a ônibus adentro.
Cobre a passagem de ida. Depois, adiantando as necessidades do seu freguês, cobre pela passagem de volta. Proatividade!

Você ganha a vida na informalidade, afanando a carteira de quem dá bobeira no seu caminho? Que tal abordar a pessoa novamente, oferecendo uma maneira de recuperar seus documentos rapidamente por uma pequena taxa?
Lucre duas vezes!

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Eu mesmo tenho tido ótimos resultados com essa técnica.

Vou até uma pessoa qualquer na rua e grito obscenidades pra ela. "Você é um fracasso! Sua aparência é horrível, você fede e todo mundo consegue perceber que você só finge que sabe fazer seu trabalho!".

A pessoa fica triste.

"Como você está se sentindo?", eu pergunto.

Ela fica em silêncio, assustada.

"Eu entendo a sua necessidade de espaço", digo pacientemente, "vamos respeitar seu tempo", e aí cobro o valor integral da sessão.

Se ela sai correndo, eu corro atrás gritando "VOCÊ ESTÁ FUGINDO DE MIM OU DE VOCÊ MESMA???"

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A técnica só não funciona quando a pessoa revida:

"Você é um fracasso!", eu digo.
"Interessante seu ponto de vista, obrigado pelo feedback... Mas moço, você tem alguma coisa pra eu comer?"

Eu fico sem resposta. A pessoa continua:
"Ou algum servicinho que eu possa fazer? Uma grama pra cortar?"

Maldito sem-teto com seu escudo de proatividade! Antes que eu perceba, quem está dando dinheiro pra ele sou eu.

Garanto que ele se aprimorou profissionalmente vendo a mesma matéria na televisão que eu vi hoje de manhã.
Isso, ou ele é cliente da TIM.

29.12.17

Meus votos

Nessa virada de ano, eu tô praticamente uma propaganda de supermercado em feriado religioso: desejo muita felicidade, fartura e abundância, e faço votos por muito amor e carinho pra todo mundo... que eu gosto.

Agora, minha gente, pra quem eu não gosto... Eu desejo uma avalanche de bosta.

Eu quero sinceramente que o Gilmar Mendes tenha uma síncope e não consiga mais controlar os esfíncteres.

Peço ao Bom Jesus que o Temer engasgue numa uva niágara durante o Reveillón e passe o resto da vida falando que nem o Darth Vader.

Que minha vizinha de baixo, que liga reclamando do barulho quando o meu chinelo bate com muita força no chão, fique surda.

Que o cara que passou de carro me xingando quando eu andei de mãos dadas com outro cara na rua sofra um acidente pulando um muro e tenha os dois testículos arrancados.

Não vou me sentir culpado. Isso não é desejar o mal a ninguém. é desejar que a bondade de quem foi gentil, bacana e decente no decorrer do ano pareça um pouco mais recompensada, frente ao castigo de quem so fez incomodar.

Paz no coração é coisa de pretensioso.

Não que eu vá ter coragem de fazer qualquer coisa de ruim pra alguém: eu jamais teria a capacidade de esganar alguém que me irrite, a não ser em sonho.

Mas fim de ano é época de sonhar, não é mesmo?

E eu sonho com paz, alegria e tranquilidade pra todo mundo... que não me encheu o saco.

O resto? Que exploda junto com os fogos de artifício.
Aí sim, feliz ano novo!

27.12.17

A autoestima do homem hétero

Quando se fala em privilégios, nem sempre as vantagens do grupo dominante estão necessariamente nos aspectos sociais e financeiros.
Quer dizer, não de primeira.

Pra mim que a maior vantagem de ser de uma maioria está na autoestima que a pessoa desenvolve.

E nada, nada supera a autoestima do homem hétero.

Ele não precisa lavar a louça depois do jantar. Os outros que façam isso! Ele não precisa se preocupar em ser inconveniente. Ele está certo de que vai ser amado e cuidado, não importa o que faça.

Enquanto isso, todo o resto do mundo está fazendo esforço pra se sentir digno de amor.

"Lavei a louça, guardei, limpei o fogão e fiz uma sobremesa", diz a filha.
"Tá, agora vai perguntar pro seu irmão se ele quer um pouco", responde a mãe.

O homem hétero é criado pra pensar que o mundo está ali para servi-lo. Reclamou? Ele vai fazer mimimi dizendo que sua reclamação é mimimi.

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Minha amiga está cortando um dobrado pra conseguir interditar o avõ dela.

Ele tem uns oitenta anos, e desde que ficou viúvo, sua casa virou um entra e sai de moças novinhas muito preocupadas com a saúde dele, cada uma com um top mais apertado do que a anterior.

Uma namorou com ele por uma semana e levou o fogão do velho. A outra levou algumas roupas, outra ainda levou parte da poupança, mas o avô da minha amiga se recusa a acreditar que levou um golpe.

Não, elas não querem o seu dinheiro. Ele tem certeza de que continua sendo muito atraente, e que essas mocinhas de 18 anos tem todo o interesse no seu charme de terceira idade.

Isso é um efeito direto do excesso de autoestima do homem hétero.

Enquanto um homem gay acha que sua vida sexual acabou aos trinta, uma mulher passa Renew no rosto desde os vinte e cinco e uma mulher transexual é assassinada aos dezenove enquanto tenta procurar um emprego, lá está ele, com oitenta anos e mais rugas no rosto do que no escroto, se achando um partidão.

Ele foi criado pra isso! Seu programa preferido é o Carga Pesada, em que o Antônio Fagundes, sem nenhum dente original na boca, faz par romântico com a Patrícia Pillar!

O que o Antônio Fagundes tem a oferecer? Um bigode bonito nos anos 70, eu concedo isso, mas só! Enquanto isso, a Patricia Pillar precisou nascer vinte anos depois, ter uma genética impecável e passar a vida sob dieta e maquiagem.

E esse casal é mostrado como a coisa mais natural do mundo. Nisso, o avô da minha amiga se sente no direito de ter uma novinha também.

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A diferença no esforço é absurda.

A mulher é incrível, estudada, gostosa, cheirosa e independente, e pensa "Será que alguém vai me amar desse jeito?".

O homem precisa de dezessete viagras pra ter uma ereção meia bomba e se olha no espelho, cheio de admiração por si, se sentindo um garanhão.

É muita injustiça.

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Quando a mãe da minha amiga tenta explicar pro avô que, se ele continuar se deixando seduzir por uma novinha por semana, ele vai perder tudo, ele responde:

"Bem que minha esposa falou, antes de morrer, que eu ia sofrer na mão de vocês"

Ao que ela responde:

"A única coisa que a mãe falou antes de morrer é que não era pra deixar você maltratar a gata dela!"

Honestamente, eu fico do lado da moça que ficou com ele só pra levar o fogão.
No mínimo, ela passou uns vinte minutos na frente do espelho se arrumando pra se sentir arrumada o suficiente pra dar um golpe. A vítima dela, quando muito, tomou um banho.

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Acho que a verdadeira igualdade social não vai ser atingida só com o aumento da autoestima das minorias. É necessário um investimento na saúde mental do planeta através da redução da autoestima do homem hétero.

Recomendo uma ofensiva direta.

Um cara passou por você numa moto te chamando de gostosa? Pare a moto com um olhar sedutor. Enquanto ele tira o capacete, você faz uma cara de decepção.
"Puxa... Desculpa, eu até tava a fim, mas... Você podia cuidar mais da sua pele, né? Um protetorzinho solar..."

Um senhor tenta furar sua fila no caixa do supermercado como se tivesse todo o direito do mundo? Cutuque-o no ombro e diga:
"Moço, com licença, vo-- Nossa, senhor, que mau hálito!"

Aquele cara super cheio de si não para de interromper suas ideias no meio de uma reunião? Dê uma risada condescendente e diga:
"Tá bom, querido! Agora deixa a gente falar sério."

E quando um homem muito cheio de si lhe mostrar os genitais, NUNCA, NUNCA reaja de outra forma que não seja um olhar de frustração e um:
"Ah... Pôxa... Ok..."

Eles que fiquem neuróticos e preocupados em agradar todo mundo o tempo todo.
Não dou um mês pro planeta estar diferente.

As diferentes vertentes da Psicologia

Psicanálise: "Vamos analisar como seu inconsciente afeta suas decisões" Psicologia Analítica: "Vamos analisar seus sonhos e...