23.2.07

Super-herói Aleatório Begins

(Texto tapa-buraco, já que as aulas voltaram e são uma boa desculpa pra ficar sem atualizar o blog por um tempo. Foi escrito originalmente para um concurso das Garotas que Dizem Ni, e não ganhou porque é ruim.)

Nos dias de hoje, várias profissões têm sumido, e muitos jovens optam por profissões mais clássicas, com vagas de emprego mais fáceis de encontrar. Com essa tendência tomando força, em alguns anos podem faltar profissionais em certos ramos. Entre esses ramos, o de super-heróis. Para evitar que isso aconteça, seguem sugestões para quem deseja fazer carreira nessa profissão – e ter sucesso. Para ser um bom super-herói, você precisa ter:

Um poder que te destaque: O poder é o ponto de princípio para criar um super-herói. Depende:
a) do lugar onde ele vive: se ele vive na água, o poder de ser um peixe. Se ele mora em São Paulo, o poder de respirar gás carbônico. Se ele mora no Rio, o poder de desviar de bala perdida. Se ele mora no Paraná, o poder de não morrer de tédio.
b) do público alvo: um herói com o poder Sossega-Curíntia se daria bem entre palmeirenses, mas o Justiceiro-da-Barriga-de-Cerveja não se daria bem com o público feminino.

Um bom nome: O nome de um super-herói precisa ser escolhido a dedo. Ele pode:
a) ser escolhido com base no poder: Homem-Mata-Barata-No-Canto, Mexe-Com-Computador-Man, Usa-Muitos-Hífens-Boy.
b) ser americanizado: um nome terminado em “man” ou “boy” acumula vários pontos. Assim foram batizados heróis clássicos como o Office-boy e o Ombudsman.

Um vilão: Todo herói precisa de um antagonista. Ele precisa contrabalançar as bondades do herói com defeitos: Se o herói salva mulheres grávidas, o vilão come criancinha. Se o herói é o Homem-Que-Tem-Amante, a vilã é a Corna-Com-Pau-De-Macarrão-Woman.

Uma identidade a proteger, um trauma do passado a resolver:

a) Não tem graça ser só herói o tempo todo. Pra quê passar o tempo todo voando e salvando o mundo se você pode passar metade do seu tempo sendo Bob, o operador da máquina de xerox, ou dedicar sua vida profissional a ser Tuck, o mecânico de cidade pequena?
b) A respeito do trauma do passado: você não pode ser simplesmente o HeavyMetalMan, você precisa ser um garoto cuja família foi assassinada por integrantes de um grupo de pagode.

Um grupo de amigos: Um grupo de heróis, quando reunido, tem seus poderes multiplicados. Mesmo assim, evite juntar heróis de ambientes muito diferentes. Senão, como você vai conseguir explicar o Aquaman numa sala de reuniões mais seca que o sertão nordestino?

Uma crise: Do que serve o super-herói se ele não tem perigo algum a combater? O herói precisa ser herói por alguma razão. Depois de resolver a crise, ele será coberto de honras e glória – até que o acusem de ser culpado por alguma outra tragédia. Então, outra crise começa para o nosso paladino.


Agora, vamos colocar a lição em prática. Imagine a cena. Alguns super-heróis estão reunidos numa sala de reuniões, prontos para proteger o mundo.

PaladinoMan: O dia está estranhamente quieto hoje.
OfficeBoy: É. Acho que vou aproveitar pra ir ao banco. Senão tem de pegar fila, é um pé no saco.
Justiceiro Clubber: Vamos dar uma festa!
PaladinoMan: Não, rapazes. Isso só pode ser uma armação.
Homem Interrogação: Uma armação? Como? De quem? Por quê? Esse porquê é junto ou separado?
PaladinoMan: Calma, Homem Interrogação. O Homem-Arbusto deve estar tramando alguma.
Homem Interrogação: Homem-Arbusto?
PaladinoMan: Sim, o homem que quer dominar o mundo!
Justiceiro Clubber: Uau, galera! Devemos nos proteger. Vou colocar um CD de techno, e a gente salva o mundo.
PaladinoMan: Nós precisamos tomar uma atitude.
OfficeBoy: Eu, hein! Nem a ONU toma, a gente vai ter de tomar.
PaladinoMan: Nós somos super-heróis, devemos ser destemidos!
Homem Interrogação: Quem disse? Quem?
PaladinoMan: É a nossa missão. Respeitem.
Homem Interrogação: Mas o que ele vai fazer?
OfficeBoy: Será que ele vai decretar feriado, antes de botar o plano maligno em prática? Se tiver feriado, eu tenho que ir no banco antes, senão quando eu for vai estar lotado, e eu ainda tenho um monte de cobrança pra fazer.
PaladinoMan: Não sei o que ele pode fazer. Invadir algum país sem motivo aparente, como antes?
Justiceiro Clubber: Acho que ele pretende coisa pior. Talvez bombardear todas as raves do mundo.
Homem Interrogação: Será? Vocês tem certeza?
OfficeBoy: Vejam! O alarme de catástrofes mundiais está apitando!
PaladinoMan: Sabia! Vamos ver o que ele fez dessa vez. Liguem o painel.
OfficeBoy: Não será preciso, chefe. Ele está no telefone. SecretáriaWoman está passando a ligação.
SecretáriaWoman: Eu não sou secretária! Eu sou a MulherMãeSolteiraQueTrabalhaFora, e vocês não me reconhecem! Eu não sirvo só pra atender telefone, sabiam!
PaladinoMan: Deixem-me atender o telefone em paz.
SecretáriaWoman: Metido.
PaladinoMan: O quê?
SecretáriaWoman: Atende o maldito telefone.

PaladinoMan atende o telefone. Quem fala é o vilão.
Homem-Arbusto: Olá, PaladinoMan. Quanto tempo, hã?
PaladinoMan: Corte a conversa mole! O que você está tramando.
Homem-Arbusto: Uma crise que vocês não poderão deter.
PaladinoMan: Desembuche, seu bastardo!
Homem-Arbusto: Um surto mundial de amnésia.

Homem-Arbusto desliga o telefone, rindo malignamente. PaladinoMan conta o que ouviu ao telefone.

PaladinoMan: Ele pegou realmente pesado dessa vez!
Homem Interrogação: O que ele fez?
PaladinoMan: Ele... Ele... Ahn, não lembro.
OfficeBoy: Então não deve ser nada de importante.
Justiceiro Clubber: Vamos pra náite, então?
Homem Interrogação: Vamos pra onde?
Justiceiro Clubber: Ah, esquece.
OfficeBoy: Vamos rachar uma pizza?
Homem Interrogação: Do quê?
OfficeBoy: Do quê o quê?

Esqueci de avisar antes. Como super-herói, evite casos que você não pode combater. Evite também... ahn, do que eu estava falando?

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