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Mostrando postagens de Outubro, 2007

O Caminhante Noturno

O rapaz estava insone, tinha passado a madrugada aceso. Não por ansiedade, ele não ansiava muita coisa, quer dizer, talvez ansiasse dormir e isso o afastava ainda mais do sono, mas nenhuma grande ansiedade que justificasse o estado de atenção ligado.
Resolveu sair. O bairro não era perigoso, mas ainda eram 4 e meia da manhã, escuro, o dia ainda parecia uma esperança incerta. Saiu mesmo assim: vestiu uma jaqueta, botou o celular no bolso, saiu e trancou a casa.


A cidade estava calmíssima. Mais clara do que de dia em alguns lugares, graças à iluminação artificial e às luzes das vitrines de uma ou outra loja. A cidade, pensou o rapaz, era aquela, não aquele lugar barulhento que, naquele momento, parecia tantos quilômetros distante e na verdade era distante por algumas horas. Depois inverteu o pensamento, e parecia estar no esqueleto da cidade, no corpo morto, sem vida, calmo. Talvez, se fosse comparar, seria o cadáver de um vilão, que ganha uma serenidade e uma quase-beleza calma depois de…