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Mostrando postagens de Novembro, 2007

Linho Ácido

Sempre que possível, depois do almoço eu ia à casa dela para tomar chá. Chá, chá mesmo, só nos primeiros dias, porque eu precisava trabalhar logo depois e o sono era pouco, então optei por café, bastante café. Ela era um momento de paz no meu dia, uma hora que eu podia conversar sobre minhas inseguranças e ter uma voz que me escutasse, sábia e condescendentemente interessada no que eu tinha a falar.

Ela sempre me pareceu um paradoxo, uma pessoa tão mais rica e inteligente que eu, e ainda assim tão simples e próxima. Lógico que quando conhecemos alguém pensamos a pessoa de um jeito e aprofundar esse conhecimento pode revelar sustos. Me assustei ao saber que ela tinha uma família, próxima até, mas que eu não conhecia - com o tempo, freqüentei a casa dela em outros horários e conheci até alguns amigos da família. Mal sabia ela que muitas vezes me sentia mais em casa nos poucos minutos depois do almoço e antes do trabalho do que nas longas horas em que tentava dormir sem conseguir na minha…