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Mostrando postagens de Maio, 2008

Mãe, filha, filha da filha

Natal quase sempre é sinônimo de reunião. Famílias se reúnem, parentes brigados se abraçam como se nada tivesse acontecido, empresas fazem festas nas quais quem compete o ano inteiro tem a chance de se presentear.

Lúcia estava indo visitar a mãe, como em todos os natais - exceto o último, em que não foi porque não queria que a mãe, Ivete, descobrisse a barriga de cinco meses de gravidez. A mãe descobriu duas semanas antes do nascimento: Lúcia precisava de dinheiro e o último recurso disponível - o único - era o dinheiro do pai. O pai não tinha dinheiro, e o recurso que não era nem considerável até então - o dinheiro da mãe - foi considerado.

Desavenças de lado, queriam cear as duas, mãe e filha, como de costume. Seriam mãe, filha e filha da filha, mas a filha da filha não cearia, só mamaria às oito, arrotaria algumas vezes e dormiria cedo - e com sorte não acordaria com os gritos vindos da sala de jantar.

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Ivete abriu a porta com o sorriso que as mães usam quando escondem alguma coisa (…