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Mostrando postagens de Agosto, 2008

A Bênção

No jardim, Maitê (a filha mais velha) empurrava a irmã no balancinho que rangia a cada vaivém da moça que não pedia para ir mais rápido, nem mais forte, nem mais nada. Gostava dos embalos de Maitê, que empurrava a irmã sem dar atenção ao que fazia, de tanta coisa que lhe passava pela mente. Várias coisas amenas, um caderno que estava acabando e precisava ser substituído, um recado que esqueceu de passar, um empurrão de leve no balanço; alguns avisos mais ríspidos da mente, um pouco de ódio por ter arrancado folha só pore educação, pra emprestar pra alguém que tinha pedido sem merecer receber folha nenhuma, uma pequena raiva de não ter o oi respondido por alguém, um empurrão mais forte - que a irmã no balanço ignorava, de tanta coisa que também lhe passava pela cabeça de criança, pequenas melancolias infantis enquanto a perna erguia e abaixava no movimento do balanço.

Era o que entendiam por família, a ignorância completa mas com um braço por perto que empurrasse quando necessário. Os p…