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Mostrando postagens de Outubro, 2008

O ser idiota

Estava tão melancólico que quando fui interrompido por um momento de alegria, fiquei triste. Um flerte com a felicidade é bom, mas um relacionamento mais sério não costuma dar certo. O amor banaliza, todos ficamos iguais quando estamos apaixonados, assim como ficamos iguais quando estamos de luto. Nos extremos das emoções, todos somos a mesma racinha monocromática e alegre, ou monocromática e triste, sem relatividade e sem intersecções entre uma sensação e outra.

Como uma foto, sem profundidade, plana e colorida, ou seu negativo escuro e cheio de sombras. E isso me apavora. A banalização, a humanização completa. Ser gente. Tem coisa mais assustadora que ser gente? Prefero ser melancólico, melancolicamente inventar alguma coisa que me separe da humanidade.

Personagem puro. Cenas, cenário, figurino. Chet Baker tocando, vinho na mão girando numa taça, cigarro baforado lentamente, cara de cu. Citar escritores obscuros. Rir de si mesmo, e depois dizer 'Idiotice minha, esquece.' Me e…