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Mostrando postagens de Novembro, 2008

Homens de Bem

Homem de bem. 45 anos. Um homem que trabalha todos os dias, que tem uma fileira de camisas brancas no guarda-roupa, quase todas amareladas no colarinho. Camisas que chegam amassadas e suadas todos os dias, às seis e quarenta e cinco, se o ônibus passa no horário certo. Os limites da cidade castram qualquer fuga: Homem de bem, 45 anos, pai de família.

Trinta e dois anos antes,

Luiz Fernando, 13 anos, mas pode chamar de Papagaio. Empina pipa como ninguém na rua. Brinca de bombeiro e é apaixonado pela Ana Cláudia, filha do dono da padaria, gordinha, linda gordinha.

Antônio, 13 anos, pode chamar de Tonho. Na escola, ficaquieto, no canto da sala. Lhe falta um dente, mas ele não sabe qual - pelo menos sabe que sua boca não era bonita de ficar aberta. Desenha carros batidos, acidentes de carro, pedaços de carros amassados em qualquer pedaço de papel que tenha por perto. É apaixonado pela Luísa, que nem pensa em menstruar ainda, a última da turma, e nem suspeita de ser vítima de paixão alheia.

N…