23.11.09

Aos meus treze anos

Sabe aqueles sonhos que você tem? O chato do tempo é que ele consegue dissolver a graça desses sonhos. Maturidade é isso, e ela nunca acaba. A cada ano você repete o ritual de achar o sonho anterior estapafúrdio.

E o que é que decide por nós? A sorte. E não se preocupe, a sorte está do seu lado. Não na hora, não de um jeito que você bata o olho e diga "Veja só, quanta sorte!". Mas é aquela velha história do bordado, depois de um tempo a sorte explica como foi que aconteceu e como foi que aquilo foi melhor pra você.

Mas sabe a incerteza? Ah, querido. Ela nunca passa.
Então. Sobre aqueles sonhos: não foram ainda. Talvez nunca venham a ser. Talvez venhamos a nos acostumar com isso (vamos ver daqui a alguns anos, na minha carta aos meus vinte e nove).

E quando o tempo passa e a gente está disposto a largar algumas mãos e segurar outras, simplesmente para largá-las depois, a gente aprende. E aprender é ótimo. O ruim é que é um conhecimento de dentro, de passado, completamente inútil para o presente. A gente pode acumular todo o conhecimento do mundo, mas quer saber? A gente nunca aprende. Nunca mesmo.

Então não posso te dar conselhos. Só evite cortar o cabelo sozinho, você vai ver como fica a parte de trás daqui a algum tempo e passar vergonha retroativa. E não fume na frente dos outros, você ainda não sabe fumar. Quando aprender, vai passar vergonha retroativa. E punheta não dá espinha.

Do eu,

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