Assustado, ele me perguntou:
- Como você sabe que eu sou gay?
Pensei em uma forma de explicar.
- Como você sabe que uma porta é uma porta?
- Basta olhar para ela.
- Então.
- Não pode ser tão óbvio. Eu não sou tão óbvio.
As feições masculinas estavam lá, a voz grossa, os pêlos. A chucrice. Mas eu conseguia enxergar, eu conseguia enxergar.
- Olha essa porta - e apontei a porta de saída.
- O que tem?
- Ela é da cor da parede.
- Sim?
- Ela está na mesma linha reta que a parede.
- Não estou te entendendo.
- Ela está pregada na parede, pelo amor de deus.
- Onde você quer chegar com isso?
Arrematei:
- Ela continua sendo uma porta. Uma óbvia porta. Por mais que tenha tudo pra se confundir com a parede;
- Eu não sou uma porta.
- Porque não se deixa abrir. Mas deixa eu te dizer uma coisa, meu amigo: uma porta fechada perde completamente a utilidade.
Aí a gente fodeu.
5 comentários:
é porque também existem portões.
E janelas...
Oi, tanto tempo que não passo por aqui e, quando passo, sou presenteado com textos tão ótimos. Abçs.
Uma obra de arte.
Bom pra caralho!
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