3.3.10

Do trabalho para casa

Os pés doíam e ela reclamava da vida. Da casa para o trabalho, do trabalho para casa: era assim que descrevia seu cotidiano quando alguém lhe perguntava como andam as coisas.

Casa? Acordava antes das cinco horas. A sua mãe também acordava cedo, passavam quinze minutos juntas tomando café antes que a pressa as separasse; a garota para o trabalho e a mãe de volta para a cama.

Trabalho? Atendia o telefone e anotava recados. Dia após dia. Sem maiores envolvimentos, sem maiores ambições. O emprego servia para pagar algumas poucas contas e para que ela pudesse sair de casa durante o dia.

Casa? Chegava tarde demais, à noite. Todos estavam dormindo. Via o pai só aos finais de semana. De vez em quando sentia saudades, de vez em quando nem sabia quem era o homem barrigudo assistindo televisão no sofá da sala.

Era indo de um lugar para o outro que ela realmente existia. Com a roupa de trabalho, formal e com um lenço amarrado no pescoço, era uma entre muitos no coletivo. Se sentia como gado, sendo tocado de um lugar para o outro.

O ônibus era o único lugar em que sobrava tempo para fazer planos. Planejava comprar um carro, mas aí se lembrava que não sabia dirigir e teria medo demais para tentar - sem contar o tempo que era tão pouco. Pensava em morar mais perto do trabalho. Pensava em mandar uma carta pra algum programa de TV falando como era horrível estar espremida entre tantas pessoas, com janelas fechadas e com um estranho roçando na sua bunda.

No ônibus, ela era uma socióloga. No ônibus, ela era uma pensadora. No ônibus, ela era uma astronauta, ela era genial, era uma revolucionária.

Mas aí chegava a hora de desembarcar.

6 comentários:

  1. Flávio, pare de me espionar!

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  2. Ítalo.2:18 PM

    é, é meio triste, mas a vida é dela, que estrague-a como quiser.

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  3. anelita12:30 PM

    oii flá!!!

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  4. bom,enquanto a chereca fala a rola é parada e a bunda mija!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! tuuuuuuuuudiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnnhhhhhhhoooooooooo

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