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Mostrando postagens de Abril, 2012

Festival

De tudo que eu já publiquei nesse blog, nada me deu tanta vontade de apagar quanto a confissão de que eu me masturbava pensando no Marcelo Novaes. Talvez seja porque eu expus uma intimidade desnecessária, talvez seja porque ele está um bagaço nessa novela nova.

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Quando eu tinha uns quinze anos, comecei a desenvolver uma fascinação por tudo relacionado à novelas. Também pudera, duas novelas das oito seguidas, uma com a Laura Cachorra como vilã e a outra com a Nazaré. Não há homossexual adolescente que resista.

Pois bem, mais ou menos na mesma época a Rede Record abriu um concurso para novos roteiristas de novela. Eu enviei um roteiro, com o título de "Festival".

Enfiei música na novela porque novela que tem algum personagem metido com música quase sempre dá certo. Se não faz sucesso, pelo menos arranja meia dúzia de fãs pro personagem e a emissora lucra com a venda de CDs. Minhas MP3 da Marjorie Estiano não me deixam mentir.

A novela era sobre uma adolescente que perdia os …

Os Sofredores (ou: como Chocolate com Pimenta mudou minha vida)

Eu deveria estar orgulhoso por ser um trabalhador. Um membro da sociedade produtiva. Um bêbado, somente às noites. Em horário comercial, senhor da minha força de trabalho.
Mas como conciliar isso com o fato de Chocolate com Pimenta ser reprisada toda tarde?

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Eu tinha doze anos quando a novela passou pela primeira vez, no horário das seis. Eu e minha melhor amiga - a parede da cozinha - assistíamos juntos enquanto jogávamos vôlei. A parede jogava muito melhor do que eu, e de vez em quando me jogava a bola com força no rosto, mas ainda assim era a única pessoa disposta a perder tempo jogando bola comigo.
Parece draminha, e era mesmo. Eu era o próprio personagem nerd de filme americano: óculos fundo de garrafa, baixinho, gordinho e pobre. Todos os ingredientes ideais para um complexo de inferioridade.
Era uma fase de mudança na minha vida. Foi quando eu comecei esse blog, por exemplo. Logo, logo, eu faço dez anos de blog. Dez anos com quase-ninguém me lendo e eu me sentindo o maior es…

Inferno Astral

Sou um quase ateu - apesar de todo mundo me achar ateu por inteiro.
Meu negócio não é o de não acreditar na existência de um espírito organizador, porque eu sou fraco demais pra não acreditar em nada. Meu problema é o prazer gigante que eu sinto em blasfemar.
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Outro dia escrevi um poema sobre como seria a vida de Maria, a mãe de Jesus, se ela na época existissem reality shows. Já pensaram a Maria no Mulheres ricas? "Ah, hello! Eu sou a mãe do Salvador!", diria ela com voz de socialite no hélio enquanto bebericasse um copo de água transformada em vinho pelo filho. "I am the face of Belém!" Se existisse Big Brother, ela seria aquela nojentinha que se faz de virgem e - todas elas são assim - não toma banho. Ainda assim, o voto do povo seria para eliminar a Maria Madalena, porque ela teria conseguido convencer o líder da semana a trocar o título de líder por um boquete. O gordinho pseudointelectual do programa seria o Herodes. Se na casa só morassem bebês, ele el…

Relações Públicas

Buscar ser visto pelos outros como bom não é necessariamente útil. Pode ajudar nas relações públicas, mas não sei como isso pode ajudar alguém a se sentir melhor - até porque não há relação pública que dê conta de uma angústia.

A própria Madre Teresa de Calcutá, tida como quase uma santa por tanta gente, não desviava dinheiro de doações que seriam pra construir hospitais para construir conventos? Não era uma doida que se recusava a deixar crianças serem adotadas por pais que usassem métodos contraceptivos?

E tá aí, toda linda e enrugada nos corações do universo.

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A maior dificuldade talvez seja aguentar não ser amado o tempo todo. Tá certo, todo mundo diz "Não faço questão de que gostem de mim", mas vai ouvir um "Não gosto de você" pra ver se não dói.

Dói mais ainda quando você não ouve, e esse alguém se afasta esperando que você se toque de que não é mais bem vindo perto dele.

E aí não tem sorriso que aguente, não tem amizade que segure a onda, não há jeito de s…