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Mostrando postagens de Maio, 2012

Cães

Hoje enxerguei um cachorro mijando numa cadela mirando na cara dela como se lhe desse flor
A cadela não reagiu de santa não tinha nada Cadela é mulher safada gozou quando ele latiu
No meio de toda a urina o poder era todo dela Marcada como cadela  rainha daquela esquina
O cão marcou território a cadela quase sorriu: O amor é o render compulsório a sofrer por estar no cio

Baitolagem

Lembrei de uma que aconteceu outro dia.

Na quadra de casa, resolvi caminhar de mãos dadas com meu namorado. Do nada, aparece um cara com um jipe e grita "Porra, tudo bem ser viado, mas andar de mãozinha dada já é demais!".

Minha bipolaridade me partiu ao meio naquele momento: Metade minha pensou "Cacete, que lindo, esse não se preocupa com o que eu faço com meu reto! Só com minha mão. Um intolerante de vanguarda! Já pensou se um dia ele descobre o que é fisting?"

A outra parte pensou "Puta que pariu, a gente nunca vai viver num mundo onde dê pra sair na rua de mãos dadas sem levar uma dessas? Onde que uma mão dada consegue ofender a ponto de fazer alguém parar o carro no meio da rua pra gritar isso pra um indivíduo?"

A parte revoltada ganhou. Fiquei putíssimo. Pensando em me candidatar a vereador pra combater a homofobia. O grito do cara mexeu comigo profundamente, nos segundos seguintes ao incidente.

O meu estado de choque só passou quando meu namorado b…

Por lá!

“Vai por lá!” Não basta ser desengonçado com meus passos, eu preciso do inconveniente arrepio que me dá na barriga. “Vai por lá, não siga em frente.” É dessas coisas que a gente sente. Como se fosse vontade de fazer cocô, mas não é.
“E se eu não for?” Aí o frio na barriga ganha sentido. Maldita hora em que, pra não me sentir idiota ou louco, pra não pensar que sou um idiota manipulável pelo próprio pressentimento, eu decido não obedecer a sensação. Aí é assalto, é o pé que torce no meio-fio, é perder o ônibus.
“Vai que dá tempo!” Aí eu não perco o horário. “Vai nesse ritmo!” E aí eu não me atraso.
“Fica quieta!” Eu digo pra voz, que na verdade é um frio, que na verdade é um aperto, que na verdade é uma coisa estranha na barriga. “Vai por lá!” Ela insiste e quem se cala sou eu. Vou por lá.
Aí eu encontro um bom amigo. Que eu acho dinheiro na rua. Que eu chego bem a tempo de impedir alguma coisa que não deveria acontecer.
“Você é louco!” (Essa voz vem da minha cabeça, e não é tão am…