Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2012

Vovô Vegano

Ontem assisti uma palestra muito interessante sobre sustentabilidade. A moça que coordenava a mesa de debates apresentou um dos participantes - um cara bonito, charmoso, que cumprimentava a todos como se fosse candidato a vereador - com toda uma ficha técnica que dizia que, aos 39 anos, ele já era reconhecido como uma qualquer coisa na sua área.

A fala dele era sobre o consumo de carne bovina por um enfoque ecológico. Basicamente, se a gente continuar comendo carne o mundo explode. Os argumentos eram todos ótimos, os slides informativos, mas nada me convenceu mais a parar de comer carne como a idade do cara. Porra, 39 anos e com carinha de 26? Mudo até meu nome pra Vegano Voight se for pra ficar assim. Depois disso, virar um vovô vegano com, no máximo, aparência de tio.

--

Saí tão entusiasmado da palestra que quis virar vegetariano na hora. Vontade de salvar o mundo, né? E parar de comer tanta asneira. Quem sabe se eu fechar a boca pra mortadela e tomar menos leite por dia do que um …

Oriente, rapaz

"Fiz uma merda e acabei assinando dois anos disso."
Não era muito fácil um palavrão sair da boca do meu pai, mas foi essa a resposta quando lhe perguntei porque algumas revistas estavam chegando lá em casa. A merda, para ele, foi assinar a revista Viagem e a Veja num pacote promocional.
Para mim, foi o paraíso: internet na época era luxo e eu lia qualquer coisa que viesse parar na minha frente. Uma das coisas que veio parar na minha frente foi justamente uma Viagem com uma matéria enorme sobre Tóquio. Fiquei - e ainda sou - fascinado pela cidade, mesmo sem nunca ter ido pra lá. Isso deve ter sido por volta de 2000. Uma das fotos da matéria era de uma pessoa, sentada no meio da calçada, com uma caixa de papelão cheia de celulares na sua frente. A legenda era alguma coisa como "Aqui, celulares custam muito barato. Compra-se na rua, para usar de chaveiro."
Celular era artigo de luxo luxíssimo na Pato Branco daquela época. Meu coração pré-adolescente ficou cheio de vo…

Pagando o preço

Foi no meu segundo ano de curso de psicologia que tomei coragem e fui conversar com uma professora para perguntar se ela me indicaria uma pessoa da confiança dela que estivesse começando a carreira e topasse cobrar menos para atender um aluno bolsista sem muita grana.
No fim da conversa, com alguma habilidade dela, decidiu-se que ela mesma seria minha analista. Eu saí dividido daquele papo: uma parte minha estava feliz por poder fazer análise com alguém que eu admirava tanto, outra parte pensava CACETE, CACETE, COMO EU VOU PAGAR POR ISSO?
--
De lá pra cá, com alguns apertos no orçamento e um emprego a mais no horário, aprendi uma grande lição: aprender a pagar o preço daquilo que é meu desejo foi mais do que a análise em si, que remexia no meu passado me ajudou.
--
É disso que concluo que as mudanças pelas quais uma pessoa passa num processo terapêutico podem ultrapassar em muito os objetivos do processo terapêutico em si. Hoje, na clínica de psicodiagnóstico, somos requisitados a preenche…

Reboot

Acabei de escrever um dos textos mais significativos da minha vida.
Eu nunca usei alguns recursos estilísticos tão bem quanto naquele texto. Era um conto de primeira, de verdade.

Já me flagrei pensando, mais de uma vez, o que aconteceria se o Soneto de Fidelidade sumisse de todos os registros escritos e de todas as memórias, menos da minha. Será que eu, só com a memória vaga, com a ideia principal do soneto na cabeça, seria capaz de reescrevê-lo? Será que, lembrando apenas dos versos mais marcantes, eu conseguiria construir outros que fossem moldura boa o suficiente para que o poema fosse, mais uma vez, considerado um clássico?

Acabei de experimentar essa situação. Era uma boa história que eu tinha na cabeça, e uma história que eu escrevi tão bem que até dei uns pulinhos pela casa de tão alegre que fiquei. Deu problema no computador. Perdi o texto. Tudo estava escrito no WordPad, que não tem o recurso de recuperar textos caso o computador desligue. Pois bem, o computador desligou e o …