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Mostrando postagens de Julho, 2012

MC Pixinga

Alguma coisa mudou na nossa música popular. Não acho que seja ruim - porque música boa continua sendo feita e quanto mais gente se expressando, melhor. A questão que mais me intriga é como, em tão pouco tempo, nossa música foi de "Bonita e graciosa, estátua majestosa" para "Esfrega o pau na cara dela".

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Talvez seja uma questão de repressão, o motivo do Pixinguinha gastar palavras endeusando sua musa quando tudo o que ele queria era esfregar seu genital na face da Rosa.

Hoje estamos mais liberados, não precisamos mais dar volteios quando o que está na nossa cabeça é sexo. Isso permite que a música seja mais específica, com menos eu-te-amos e mais lamba-minha-bola-esquerda.

O problema não é de falta de pudor: é só que um coração parece muito mais bonito numa declaração do que uma bola esquerda.

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Eu queria ter feito meu TCC na faculdade de psicologia fazendo uma análise das músicas da Valesca Popozuda por uma ótica feminista. Tá certo que ela só se coloca como um …

Produtividade

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A internet é a maior fonte de inspiração e o maior incentivador para o trabalho que existe no universo - quando sai do ar.

Esse mês esqueci de pagar a conta da internet pré-paga (300kbps, tomem essa!) e nunca fui tão produtivo na minha vida. Minha louça está impecável, fiz a barba (em dia de semana, toma essa outra!) e tô botando a leitura em dia.

Só faltava aproveitar a deixa para escrever alguma coisa para o blog. Vim para o quarto, preparei o pen drive para levar o texto para o meu estágio e colocar no Blogger de lá... e consegui conectar numa rede desprotegida de algum vizinho.

Adeus, produtividade.

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Para um homem que mora sozinho, eu até que sou um dono-de-casa razoável. Não dependo cem por cento de lasanha de microondas e até vegetais eu como de vez em quando.

Uso a mesma xícara do dia anterior para tomar café, todos os dias. E sem lavar a xícara, no máximo dando uma passadinha de água. Meu critério é a presença de uma mancha na xícara: se tiver mancha, eu molho o dedo e esfre…

Das coisas que ficam turvas

Das páginas que amarelam, das folhas que brincam no chão, tudo envelhece e perde-se de corpo. O físico se esvazia, mas não perde a história de seu dever cumprido.

O que as páginas gravaram é perdido das páginas, mas não da tatuagem que fizeram na pele virgem da cabeça de quem leu.

O ar é poluído outra vez depois do trabalho incansável da folha sob o sol para purificá-lo, mas não fosse a folha, hoje morta, não teria sido possível respirar. Não estaríamos aqui, se não fosse pela folha-cadáver que hoje reveste crocantemente o chão.

Das coisas que ficam turvas sobraram seus olhos - ainda pálidos pelo pouco tempo que tem. Não se perdôe de sua juventude, moço. Logo os olhos enegrecem, e aos poucos os cenários não tem mais a mesma cor de outrora - talvez pelo hábito de sempre ver a mesma cor, sempre ali, vibrantes, enquanto nós, imóveis, permitimos que o olhar apague, aos poucos, o seu vigor.

As cores se perdem de dentro para fora, sempre, e então mesmo as páginas recém impressas vão ficando…