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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Dor de ouvido

Quando eu tinha dezessete anos, li um livro da Louise Hay chamado “Você pode mudar sua vida”. O livro fala sobre como as doenças que temos no corpo provém de padrões de pensamentos que temos, e como uma simples mudança de pensamento cura até uma perna amputada.
Passava horas olhando uma tabela, no livro, que relacionava a doença com o pensamento que a gerou e com o que pode curá-la. Eram coisas como “DOR NO ÂNUS – Dificuldade de deixar as coisas do passado irem embora. Repita para si mesmo: “Deixo o que não me pertence ir embora livremente. Me permito seguir a vida com leveza”.
Com o tempo, fui percebendo que essa história de Activia mental não era tão preto-no-branco quanto o livro fazia pensar. Ainda assim, a ideia de que as doenças têm a ver com os nossos pensamentos ressoou profundamente comigo.

“Flávio, você pode vir aqui um pouquinho?”
A voz veio de trás da mesa da professora. Eu tinha seis anos de idade, e já era pedante o suficiente para atravessar a sala de aula com a cert…

A torneira dos insights

Insights podem ocorrer nos momentos mais inusitados. Você está vivendo no piloto-automático e ploink!, subitamente alguma lâmpada se acende no seu cérebro e surge uma revelação que fica gravada pro resto da vida. 
Aconteceu comigo do seguinte jeito: eu, no banheiro de casa, com as mãos estendidas debaixo da torneira, esperando a água magicamente começar a cair.
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Explicando melhor: eu estava trabalhando num shopping center, como vendedor de celulares, ganhando um salário base de R$ Uma Miséria + VT + VR. 
Ainda assim, foi o emprego que melhor me pagou até hoje - consequência de achar a experiência do trabalho em si muito mais interessante do que a compensação ganha por ele. 
Para uma pessoa que chegou a contar moedas para comprar um miojo e dividí-lo em duas refeições distintas, foi impactante poder gastar mais de quinze reais num almoço. Uma pequena e inesperada fortuna.
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A gente se acostuma rápido demais às mordomias. 
Tire um mendigo da rua e lhe dê um cartão de crédito ilimita…

Marchinhas

É impressionante ver como, no carnaval, toda a publicidade se baseia em marchinhas. Mais ainda quando se trata daquela publicidade bem condescendente, querendo nos instruir - nós, o pobre povo ignorante.

A gente, que fica na frente da TV e não no meio desse povo, é brindada com marchinhas como "Quem cala/ consente/ Não aceite nada errado/ Com criança e adolescente" e "Bateu vontade de fazer xixi?  / Não faz aqui, não faz aqui!" - tudo com uma melodia bem grudenta, que é pra aprender bem a lição.

Acho uma pena que isso aconteça só no carnaval.

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Pensem bem: se uma marchinha de carnaval tem efeito moralizante até nas bexigas dos foliões, por que não doutrinar nosso povo com marchinhas contra todos os tipos de crime?

Com a melodia adequada, poderíamos até causar uma queda dos índices de homicídio.

Consigo até ver: está lá o cidadão com uma meia na cabeça e uma metralhadora na mão (a versão atualizada do clichê de uma câmera e uma ideia), prestes a cometer o disparo, …

Luísa

Caminhando pela rua, no meio de um papo com um amigo, fui surpreendido por uma pancada forte no joelho. Coisa normal, se for levar em conta a minha altura (quase um e noventa) e minha falta de habilidade em me locomover sem tropeçar nas coisas.

Olhei pra baixo, pra conferir qual era a da pancada, pensando que tinha tropeçado em um toco de árvore ou coisa parecida. Não era.

Uma garotinha linda, de uns três anos de idade, gordinha e com os cabelos loiros cacheados, que parecia ter fugido de um comercial da Oi, estava caída na minha frente.

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O pânico da menina me deu até dó. Ela não sabia se chorava por ter batido a cabeça, por estar em frente a um homem desconhecido com o quádruplo da sua altura ou por não encontrar a mãe.

Olhei ao redor para ver se achava a mãe da criança.

Uns cinco metros para a frente, vi uma mulher gesticulando e falando sozinha: "Porque o teu pai não presta atenção em mim, Luísa".

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Chega a ser engraçado como as oportunidades às vezes caem nas mãos de …