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Mostrando postagens de Agosto, 2013

X-Paraíso

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Recém-saído da faculdade, estou estudando para um concurso público. É muito complicado decidir o que fazer pelo resto da vida, e trabalhar para o governo pode me colocar na confortável posição de receber ordens de terceiros o resto da vida.
Isso e mais um bom salário no final do mês pode ser o paraíso. Ou, pelo menos, um o purgatório bem confortável.
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Minha cidade natal tem poucos atrativos turísticos, e toda foto de divulgação mostra a mesma igreja e praça.
É uma pena que se desperdice a verdadeira vocação patobranquense para o turismo: o X-Polenta.
Trata-se de uma gambiarra culinária composta por duas fatias grossas de polenta frita, muito queijo, calabresa, bacon, hambúrguer, frango, tomate e rúcula. Isso tudo numa porção do tamanho de um prato.

É um paraíso muito mais acessível do que passar num concurso público.
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Morando na capital do estado, os concursos por aqui costumam ser muito concorridos. Muito mais candidatos por vaga do que, por exemplo, um concurso numa cidade …

Fora do meio

Na cidade pequena em que eu morava, os poucos gays que eu conhecia formavam uma panelinha. Como qualquer grupo de adolescentes, eles agiam do mesmo jeito, falavam as mesmas gírias e usavam as mesmas roupas - e o mesmo tipo de tênis que eu não tinha dinheiro suficiente para comprar.

Eles eram ótimos em oferecer uma imagem de felicidade e diversão constante. Eu me roía de inveja, mas sempre dizia aos meus amigos de internet que aquele grupinho era ridículo e que eu queria mesmo era distância deles.

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Pega bem para um militante político dizer "Ainda tenho meus preconceitos, todos tem... Mesmo que inconscientemente". É uma boa maneira de se incluir se excluindo: todos são preconceituosos, mas comigo é só onde a minha consciência não toca.
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Eu carrego a bandeira do movimento gay com o maior orgulho, mas isso não me impede de julgar meus companheiros e de ter meus preconceitos. Entre gays, é comum ver alguém se orgulhando de ser "de fora do meio". É como um carimbo qu…

Três Alines

A primeira Aline eu conheci em uma entrevista de emprego.

Os candidatos eram entrevistados um a um, em frente a todos os outros. A entrevistadora perguntou qual era o motivo de e procurar esse emprego e eu respondi: "Feijão. Gosto muito de feijão. Sem trabalhar, sem feijão na mesa. Estou aqui pelo feijão".

Ela também deveria amar feijão, porque a estratégia funcionou. Gostar de feijão aparentemente me tornava apto a trabalhar vendendo celulares para pessoas com mais limite no cartão de crédito do que inteligência.

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Quando a Aline foi entrevistada, só disse que já tinha trabalhado na área antes e que estava procurando um novo emprego. Fomos selecionados, os dois.

Só fomos conversar no dia do exame médico. As primeiras palavras dela para mim foram "Tô precisando de um lugar pra morar, você sabe de alguém que tenha um quarto?". Minhas primeiras palavras para ela foram "Eu tenho."

Três dias depois, estávamos morando juntos e continuamos assim até hoje. Falá…