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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Tem gente olhando

Experiência: procure qualquer fotografia publicada em rede social em que várias pessoas apareçam juntas.

Desça até os comentários e provavelmente você vai encontrar várias pessoas falando sobre como estão feias. A foto pode ser linda, um grupo de amigos sorrindo felizes, mas os comentários de "Apaga, tô horrível!" vão estar lá, pode ter certeza.

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Já não participamos mais direito das coisas, tá todo mundo mexendo no celular o tempo todo. Tudo bem, agora o que vale é o registro e não a experiência, mas conseguimos piorar o que já era terrível: só vale o registro em que eu me acho bonito. Uma foto feia ou um check-in em um lugar fora de moda é mais temido que a morte.

Tratamos as redes sociais como nossas avós tratavam suas panelas: esfregamos até ficar brilhando, pra vizinha não ver defeito. Infelizmente, não sai comida gostosa nenhuma do meu Facebook.

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O pai de uma amiga lhe deu um conselho que eu adotei pra mim mesmo: "Sempre que você vir uma foto sua em um grupo de…

Julgamentos

Não sou petista, mas quando alguém comenta sobre política e usa as palavras "petralha" ou "corruPTos", eu já não consigo ouvir a sua opinião do mesmo jeito.

Fica uma impressão de que a ideologia está à frente do julgamento. Se eu não gosto do partido e parte do partido é corrupta, generalizo que o partido todo é corrupto. E o ideal realmente seria esse: qualquer ato de corrupção de um partido queimando a imagem de todos os seus membros.

Mas, infelizmente, quem pensa dessa maneira costuma usar a generalização só para os casos que convém.

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Para as Testemunhas de Jeová, existe a figura do ancião. O ancião é uma espécie de pastor e guia dos fiéis daquela localidade. Se você comete um pecado, deve (ao menos teoricamente) confessá-lo para essa pessoa. Se você falar que está arrependido, tudo bem. Se o pecado foi muito grave, você pode ser repreendido de alguma maneira.

Se você não se arrependeu, ou foi descoberto sem confessar e não pretende mudar seu comportamento, vo…

Economia

Eu sou, entre os meus amigos, um notório pão duro.

Não que eu negue pagar a rodada de cerveja quando chega a minha vez, mas antes de sair todos já sabem que eu vou fazer campanha pra irmos ao bar mais barato.

Não me interessa o som ambiente, os móveis de designer famoso ou "gente bonita". (Parênteses: quando me falam que um lugar é bom porque tem gente bonita, eu já sei que o lugar é ocupado por gente branca - quase sempre se sentindo especialpor estar uma camisa de duzentos reais igual a que todos ao redor estão usando.)

O que me interessa é a promoção de duas cervejas por cinco reais.

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Estudando psicologia, você se aproxima e cria distância da própria saúde mental ao mesmo tempo.

Não dá pra ficar analisando tudo o que se sente o tempo todo, então você se assusta quando percebe que não está legal não pelo próprio sentimento, mas por observar os sintomas que tem apresentado:

"Peraí, já é o terceiro dia em que eu não consigo sair da cama e choro antes de dormir."

Cortador de Grama

Estava indo almoçar hoje quando vi, no pátio de um salão de beleza chique do bairro, uma mulher ajoelhada no chão. Reparei bem: suas roupas estavam rasgadas, a boca travada como se estivesse com raiva, a pele que parecia um pêssego (se o pêssego estivesse apodrecendo).

Nas suas mãos, um canivete. A mulher estava cortando a grama de todo o pátio do salão de beleza com um canivete de dez centímetros.

Não quis imaginar quanto ela estava recebendo pelo seu serviço. Provavelmente uma fração do que se cobra por um corte de cabelo naquele salão.

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A minha geração foi alimentada com facilidades desde o útero. Ver uma pessoa num subemprego é terrível, mas ótimo pra botar em perspectiva o olhar travado pela vida na classe média.

Já reclamei muito sobre como queria poder ganhar a vida escrevendo. Realmente, passar anos e anos burilando um estilo, se dedicando a um ofício, e não poder receber o sustento dele tem sua dose de frustração. Mas a frustração é sempre fruto do mimo: como é que a vida o…