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Mostrando postagens de Novembro, 2013

O machismo da Lulu

Aconteceu com um amigo de um amigo meu:

Ele namorava há quatro meses com uma moça. As coisas andavam rápido, a namorada praticamente acampada na casa dele, o maior amor.

Até que um dia, enquanto ele dormia, ela começou a passar a mão no seu pênis. Ele resmungava e continuava dormindo, ela avançava mais um pouco. Ele acordou com um boquete dela. Disse que estava cansado e não queria. Ela, com o orgulho ferido, entrou em parafuso.

Agarrou o saco dele e torceu com força. Ele gritou. Ela, ofendidíssima, não parou. Ele gritou "Sua louca!", ela deu um soco na cara dele. Saiu chorando do apartamento pra nunca mais voltar.

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A nossa sociedade, machista por excelência, criou as regras: a mulher deve ser pudica e fingir que não trepa, o homem precisa ser louco por sexo e querer xoxota o tempo todo.

Duas mentiras violentas. As mulheres pagam uma conta muito mais alta, com a parte de serem estupradas e tudo mais. Não preciso nem ir fundo nisso. É mais difícil ser mulher, ponto final.

M…

A Família na Brasília

Um dos melhores companheiros para o pobre moderno é o Amigo com Casa na Praia™.

Na falta de um, é sempre importante investigar seu círculo de relações e arranjar pelo menos um Amigo de Amigo com Casa na Praia ou Chefe que Tem Apartamento na Praia e Não Usa Muito.

É isso ou não ver o mar nunca.

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Falam que na morte todo mundo é igual, mas não acho que essa seja a única hora. Num engarrafamento, por exemplo, a Brasília com pneus carecas e o Jaguar andam lado a lado.

Claro, a Brasília não tem ar condicionado e o motor é barulhento, mas ricos e pobres precisam esperar do mesmo jeito pra chegarem a seus destinos.

A não ser que o rico tenha um helicóptero. Esse tá de boa.

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Mas me dói o coração ver que o carro ao meu lado no engarrafamento rumo ao litoral é um carro velho e cheio de gente simples. Impossível não imaginar a história:

O homem, que dirige, fabrica calhas. Tem um dedo faltando na mão esquerda, que serviu para aparar uma queda de um telhado. Há quatro anos ele não tira férias.

Mas você não sai?

É muito constrangedor quando alguém me pergunta se eu tenho o hábito de sair.

Como assim sair? Eu saio de casa. Eu não sou um eremita, eu não tenho uma horta na minha casa que me permita viver do que eu mesmo cultivo. Se eu tivesse, provavelmente eu não sairia (a não ser que não desse pra pagar a conta da internet pelo site do banco).

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Mas não é como se eu ficasse em casa o tempo todo. Eu saio de casa. Eu encontro pessoas. Eu faço cursos. Mas não é disso que a pessoa está falando. Se eu respondo que eu saio, sei lá, para praticar montanhismo, a pessoa geralmente me corrige:

"Não, não. Eu digo sair sair, sabe?"

"Como?"

"Tipo, sair à noite?"

Entendi.

Bom, o supermercado aqui perto de casa é 24 horas, e às vezes eu tenho uma vontade súbita de comer uma Trakinas de morango, então a resposta seria... sim?

Não, não seria.

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Isso quando a pergunta não é ainda mais confiante:

"Você sai pra onde?"

A pessoa parte da absoluta certeza de que meus fins de…