26.11.16

Calças

Quanto mais velho eu fico, mais eu preciso me esforçar pra usar calça.

Quando eu era adolescente, eu me recusava a usar bermuda. Era calça jeans o tempo todo, até pra ir na calçada levar o lixo.

Agora tá mais difícil. 
Como o código de ética da psicologia impede que eu pratique minha profissão e o nudismo ao mesmo tempo, eu fico horas demais por dia de calça, sapato, cinta, camisa social, aquele monte de botão... Isso cansa.

Ainda mais com essas calças moderninhas que agarram forte na canela e você fica parecendo um burrito enrolado em papel alumínio.

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Tinha aquela brincadeira de guri que alguém gritava "com calça" ou "sem calça", no final de cada frase de uma música, cês lembram? Era tipo:
Caía a tarde como um viaduto
COM CALÇA
E um bêbado trajando luto
SEM CALÇA
Me lembrou Carlitos
COM CALÇA

Eu tô com o bêbado.

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Agora eu aprendi a usar o desconforto ao meu favor. Fico cultivando o incômodo da roupa apertando o corpo até o dia terminar.
Aí a parte mais feliz do meu dia é chegar em casa e instantaneamente arrancar as calças, como se eu fosse um stripper com pressa pra devolver a fantasia de policial.
O resto da roupa fica, o que irrita mesmo são as calças, o símbolo maior da opressão.
Meu visual fica uma coisa linda, meias, cueca e camisa social amarrotada.

Até o final da década, prevejo que eu vou estar indo de sunga ao supermercado.

(desculpem deixar essas imagens na cabeça de vocês, mas quem leu até aqui foi porque quis)

Um comentário:

  1. vem pra recife, aqui vc pode circular de sunga, sandálias e alto astral pelas ruas (sentido praia, claro) que vai ser tudo normal.

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