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Mostrando postagens de Maio, 2016

Wallace

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Para quem tem uma ideia mais liberal das coisas, a batalha não para.
A sociedade é um vidro de conserva e joga vinagre em tudo o que você tenta fazer para mudar as coisas.

A gente se consola com o pensamento de que o progresso é inevitável, mas a câmara deputados se dá a liberdade e puf!, é 1964 de novo.

Só pra esfregar na nossa cara o quanto mudar é difícil, e como a gente corre o risco de morrer sem ter visto um mundo com mais liberdade e justiça.

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George Wallace era um demagogo de primeira.

Quatro vezes governador do Alabama, George era um conservador que pregava a segregação racial com todas as suas forças.

Nada de pautas LGBT ou feministas. Só o racismo, que é a figurinha que vem de graça no álbum de qualquer reaça, já bastava para fazer uma agenda bem repressiva para a época.

"Olha como meu pulso não dobra!"

"SEGREGAÇÃO HOJE, SEGREGAÇÃO AMANHÃ, SEGREGAÇÃO SEMPRE", diziam os cartazes da campanha de George Wallace.

O povo gostou. O povo tende a gostar desses b…

Cia. Subterrânea das Boas Intenções

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Boa intenção todo mundo tem.
Com engenharia reversa suficiente, dá pra achar boa intenção em qualquer atitude que alguém tome.
O próprio Satanás, o bode expiatório mais lembrado pelos consumidores, teve boa intenção, se você olhar bem. Afinal, o mundo inteiro era perfeito, ninguém tinha acne e a forma de entretenimento de maior sucesso era dar nome a bicho, mas o paraíso era uma ditadura, né?
Aí surge esse ventríloquo de serpente e sugere que outra forma de governo poderia ser possível. Querendo ou não, o Diabo é o pai da democracia. Veja só, que intenção boa.
E deu no que deu.

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O problema é acreditar que a boa intenção é garantia de bom resultado, como se o universo tivesse a obrigação de responder positivamente as nossas atitudes de mocinhos da Disney.

Mas não tem jeito: a gente nunca conhece a situação bem o suficiente pra garantir que não está confundindo as coisas e sendo bem intencionado pro sentido errado.

Como uma colega que me chamou de canto uma vez pra conversar:
"Fl…

Do interior da gente

Todo mundo sabe que eu nasci numa cidade de interior chamada Pato Branco (e quase todo mundo tira sarro disso).
Volta e meia algum conterrâneo meu compartilha uma foto da cidade, e invariavelmente minha terra aparece linda, moderna, majestosa e cheia de prédios.
É como um grito de orgulho: “Ei, mundão! Galera da cidade grande, aqui a gente também é moderno, ok?”.

Mesma coisa quando alguém me conta sobre as novidades da cidade: “Tá sabendo que abriu um Bob’s aqui?” “Jura? Ah, mas fica difícil querer um lanche do Bob’s numa cidade que tem Xis Polenta, né?” “Ah, mas a garotada gosta. Logo mais deve abrir um McDonald’s. Não é pouca coisa, não.” “Bacana... eu não curto fast food tanto assim.” “E temakeria, cê já comeu temaki? Só na minha rua agora tem três temakerias!”

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Eu adoro o progresso. Se eu amasse alguma coisa o suficiente pra fazer uma tatuagem, provavelmente seria saneamento básico. Ou wifi. Mas me incomoda achar que uma cidade como essa só tem valor quando vai ficando parecida …