27.4.12

Festival

De tudo que eu já publiquei nesse blog, nada me deu tanta vontade de apagar quanto a confissão de que eu me masturbava pensando no Marcelo Novaes. Talvez seja porque eu expus uma intimidade desnecessária, talvez seja porque ele está um bagaço nessa novela nova.

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Quando eu tinha uns quinze anos, comecei a desenvolver uma fascinação por tudo relacionado à novelas. Também pudera, duas novelas das oito seguidas, uma com a Laura Cachorra como vilã e a outra com a Nazaré. Não há homossexual adolescente que resista.

Pois bem, mais ou menos na mesma época a Rede Record abriu um concurso para novos roteiristas de novela. Eu enviei um roteiro, com o título de "Festival".

Enfiei música na novela porque novela que tem algum personagem metido com música quase sempre dá certo. Se não faz sucesso, pelo menos arranja meia dúzia de fãs pro personagem e a emissora lucra com a venda de CDs. Minhas MP3 da Marjorie Estiano não me deixam mentir.

A novela era sobre uma adolescente que perdia os pais e foi morar com a avó. Ela tinha um irmão mais novo, o Emanuel, que era gótico - pra vocês verem como meus personagens eram profundos. A adolescente crescia e virava uma mulher-forte-e-batalhadora-que-rala-muito-para-sustentar-a-família. Toma essa, Griselda.

Apesar de toda a tragédia, o sonho da minha mocinha era cantar, e quando ela descobriu que um festival de novos talentos ia acontecer na cidade, foi correndo para levar sua fita (!!!) para se inscrever. No caminho, ela tropeçava em um chef de cozinha, se machucava, ele se compadecia e a dava uma carona para fazer a inscrição.

Daí pra frente, amor eterno e sofrimento.

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Hoje em dia é moda toda novela "discutir" um assunto. No máximo o assunto é achincalhado até a morte por excesso de vergonha, mas fica bonito falar que a novela em que o personagem gay não beija na boca "discutiu a homofobia".

Se eu tivesse pensado nisso naquela época, diria que minha novela discutia "o mundo da fama a qualquer preço: do que você está disposto a abrir mão para conseguir a fama?". Tipo qualquer CD de música pop lançado nos últimos dez anos.

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O problema é que minha novela era muito, mas muito mal escrita. Até procurei meus arquivos para ver se encontrava alguma coisa pra botar aqui, mas não achei. Só lembro de uma cena em que dois personagens discutiam na cama. Era pra ser uma cena de humor, e era mais ou menos assim: Nádia, a mulher inteligente mas dependente do marido rico e burro, queria ler Dostoiévski. Roberto, o marido bobão e amável, dizia que usou para equilibrar a mesa da sala de jantar, que estava meio bamba.

Nádia ficava emputecida. Roberto, tentando consertar as coisas, diz que se ela quisesse ler alguma coisa, ele emprestava um livro do Paulo Coelho. Aí a Nádia batia nele.

Até hoje eu não li porra nenhuma do Dostoiévski, e, quer saber? O Alquimista super me fez chorar quando eu li.

É nessas que eu percebo que eu era o adolescente mais pretensioso do mundo. Isso só mudou quando o Aguinaldo Silva resolveu criar um blog e tirou meu título.

Um comentário:

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