14.1.13

Como as coisas começam


Comecei a me masturbar muito cedo. Eu tinha uns oito anos, olhei para aquela coisinha dura e tinha uma vaga ideia de que esfregando aquilo eu sentiria uma coisa gostosa. Esfreguei e senti. Deu certo.

Sem entender, comecei a investigar outras partes do corpo.
Passava a mão fechada furiosamente pelo dedo indicador da outra mão, num vai-e-vem intenso torcendo para que aquilo me desse a mesma tremedeira nas pernas que me dava mexer no pipi.

Não dava.

Fazia movimentos de fricção na dobrinha do joelho. Se algum lugar no corpo tinha potencial para ser erótico, era a parte do joelho ao redor da rótula. Deus perdeu uma grande oportunidade de criar uma zona erógena ali.

Também não tive resultado.

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Não que tentar coisas ao acaso não possa render bons frutos. Por exemplo, uma das coisas que mais me intrigou por toda a vida foi a invenção do café.

Tudo começou quando um árabe que caminhava pela vila numa tarde de domingo olhou para uma plantinha de café, carregada de frutinhas vermelhas e cercada por uma multidão de mosquitos.

"Quer saber?", pensou ele, "Vou catar essas frutinhas, arrancar as sementes delas, torrar as sementes ao Sol e moê-las."

Não satisfeito, depois das sementes torradas e moídas, ele decidiu jogar água fervente nelas. E jogar as sementes fora. E beber a água que sobrou do processo.

Com isso, ele afetou todos os desjejuns da história da humanidade.

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Se esse árabe fosse o Djavan, provavelmente tomaríamos chá de besouro torrado todos os dias pela manhã.

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Vários anos depois, levei para a cama um cara que gemia de prazer toda vez que eu tocava nos joelhos dele. Aquilo que eu imaginei era possível!

Fiquei com orgulho da minha investigação - mas morri de inveja. Quem sabe se eu torrar meu joelho no Sol e depois jogar água fervente...

2 comentários:

  1. Anônimo5:29 PM

    http://www.youtube.com/watch?v=oOmCRQb_JHU

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  2. Parabéns por sua iniciativa de experiência! Sinta orgulho de ter quebrado os tabus da sociedade tão preconceituosa. Sou totalmente a favor da liberdade de escolha. Eu não reprimo meus desejos, e ainda pretendo realizar muitos que ainda estão pendentes, na fila.

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