18.1.16

Fazendo um pouquinho

Amigos, encarem isso como uma bronca. Como uma bronca bem dada, olhando nos olhos de vocês e falando "olha pra mim" quando vocês desviarem o olhar.

O que vocês fazem É BOM.

Você que pinta, que canta, que costura: o que você faz É BOM.

Você pode pintar torto, desafinar e errar o ponto, mas o que você faz É BOM.

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Por que diabos as pessoas com mais talento são as que mais duvidam de si, e as mais encantadoras as que menos sentem que tem valor?

Não é pra me incluir no grupo dos talentosos e encantadores, mas eu sei o que é se olhar no espelho e se odiar. E não achar que tem nada certo na sua cara, e que nada do que você faz tem valor, e que você é um bosta perto de tanta gente incrível no mundo.

E o mundo é assim mesmo, cheio de gente incrível, talentosa e rica.

E essa gente vai fazer trabalhos melhores que o seu, carreiras mais brilhantes que a sua e parecer mais interessante que você.

E sabem o que isso significa?

Porríssima nenhuma.

Porque ninguém consegue ser perfeito em tudo e todo mundo queria ser melhor em alguma coisa.

E, por incrível que pareça, tem gente nesse planeta que consegue ter inveja de você. De você! E gente que você admira!

Tem gente rezando de joelhos para falar como você fala, agir como você age, costurar como você costura ou ter a coragem que você tem de sair da cama e encarar o dia que você tem.

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"É, mas eu mostro o que eu faço e ninguém gosta."

Sim, mas tem força maior pra controlar uma pessoa do que fazer ela não se achar boa o suficiente?
Tem coisa que segura mais alguém do que duvidar da própria capacidade de fazer aquilo que ela quer? E nem é a respeito de saber fazer, é sempre sobre "fazer bem o suficiente".

Bem o suficiente pra quem, cazzo?

Tem gente aí que adoraria ficar nos ombros do Michelangelo enquanto ele pintava a Capela Sistina, falando "Pô, cara, esse Deus tá muito saradão!".

Pra manter o seu talento preso no seu cagaço. Pra que eles também não saiam do cagaço deles, e ainda consigam dar risada de quem ousou tentar.

Covardes.

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Além do mais, todo mundo vai querer uma fatia da sua coragem.

Se o Beethoven saísse mandando mp3 da quinta sinfonia pra cinquenta pessoas pedindo opinião, cinquenta pessoas dariam algum palpite do tipo "Olha, podia ser mais animadinho" ou "Podia ter um dubstep no meio, tá na moda". Só pra se sentirem participantes de uma obra de alguém que realmente teve o trabalho de sentar a bunda numa cadeira e tentar fazer algo bonito.

Chega uma hora em que você precisa acreditar mais na sua opinião do que na do outro.

Você já tem coisa demais pra se preocupar na vida - sua segurança, ter comida na mesa, juntar os cacos do coração que parte de vez em quando, dar comida pro gato. Tanta coisa pra fazer e você vai perder seu tempo com um Zé Roela que pode vir a achar que o seu humilde trabalhinho não está à altura do traseiro fofo dele?

Deixa disso.

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Mais do que acreditar, você precisa largar o medo de lado e fazer alguma coisa. Qualquer coisa.

Tirar da ideia aquela sua ideia da lojinha virtual. Filmar aquele vlog que você prometeu pra si mesmo que ia fazer mas tem medo do ridículo. Soltar a voz na rodinha de violão.
Usar a saia curta que você ainda não teve coragem. Fazer aquele telefonema.

Sair um pouco da cabeça e dar a você mesmo a chance de existir um pouquinho.

Mesmo que seja um pouquinho bem humilde e que o resultado não seja o que você esperava.

E, se você foi criticado por alguma coisa que fez, se dê os parabéns. Você fez alguma coisa.

Isso já é mais do que muita gente é capaz de fazer.

2 comentários:

  1. Nossaaaa... Incrível! Te agradeço Flávio por publicar esse texto, me ajudou muito!! Você é demais!

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  2. Muito bom, perfeccionistas subestimam suas capacidades.

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