7.6.17

Bueiro

Eu já contei pra vocês do dia que eu caí num bueiro?
Não, né, porque isso acabou de acontecer.

Pra essa história valer a pena você precisa saber que:
1- Eu sempre tive medo de cair num bueiro.
2 - Eu vou ao supermercado quando quero desestressar.
3 - Eu sempre quis comprar um vidro de ovo de codorna.

Então, tive um intervalinho no consultório e resolvi dar um pulo no mercado pra esvaziar a cabeça antes do próximo paciente. Até falei pra minha colega que não tinha nada pra fazer lá, só queria mudar o cenário.

Pois bem.
Cheguei no mercado e não tinha nada que eu precisasse comprar. Eu tenho estado estressado ultimamente, então a despensa tem sido bem recheada.
Fui passeando pelos corredores até encontrar um vidro de ovos de codorna.

Eu amo ovos de codorna, eles são a coisa que eu mais como quando vou numa churrascaria, pra mim eles são sinal de ostentação e grandeza. Ainda assim, eu nunca comprei um vidro inteiro antes porque me parecia... vulgar. Seria estragar uma coisa especial.

Mas hoje não.
Hoje eu merecia uma coisa especial. Peguei o vidro com os ovos e fui pagar no caixa. A atendente, conhecida minha, quis reforçar a sacola.
Eu falei que não precisava, o consultório é bem pertinho dali, não ia ter problema. Ela insistiu. Eu falei "Imagina, não vou derrubar não, de jeito nenhum".
"Olha, olha", ela respondeu, "se cuida!".

--

Muito que bem, saí do supermercado e juro por Deus que não são nem 100 metros do caixa até onde eu precisava ir.
Estava andando com os ovos na mão e pluft.

Eu caí, mas não estava no chão.
Eu estava mais embaixo.

Preciso dizer que ontem Curitiba estava debaixo de uma tempestade terrível, a água arrastou tudo o que pôde inclusive a tampa do bueiro da esquina do supermercado.

Bastou pisar nele que ele escorregou e eu desci.

Por sorte, foi com uma perna só.
Eu abri um espacate com uma perna bueiro adentro, uma perna no chão e os braços pro lado, na posição clássica de um mosquito depois de uma chinelada.

Não pensei no perigo de me machucar.
Não pensei no medo de escorregar inteiro pra dentro do bueiro e ter que passar o resto da minha vida lá.
Tudo o que eu conseguia pensar era "PUTA QUE PARIU, DERRUBEI MEUS OVO DE CODORNA".

Ô atendente praguenta.

--

Graças a Deus não me machuquei além de uns ralados, mas tá tudo doendo.

Já vim pra casa, já tomei um banho bem longo pra tirar toda a meleca da perna e eu acho que tá tudo bem.
Ainda assim, se eu virar um mutante anfíbio ou o Homem-Barata, vocês já sabem por quê.

O mais importante dessa história, e o motivo de eu estar contando ela pra vocês, é que O VIDRO DOS OVOS NÃO QUEBROU.
Inclusive tô comendo eles agora, enquanto digito isso pra vocês.

A moral da história eu não sei qual é.
Na dúvida, nunca discorde da caixa do supermercado.
E olhe bem por onde anda.
E só pra garantir, nunca desista dos seus sonhos. Porque os ovinhos tão uma delícia.

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